segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Vingança de Rafael

Fosfobox, sexta a noite. 23:00
Tinha acabado de entrar e foi a primeira coisa que vi. Moreno baixinho, magriceeelo, cabelo raspado e rostinho pequeno. De lembrar daquela tarde no cinema, arrepiei todo. Do jeito ruim.

Não estava sozinho, mas não estava acompanhado. Dançava com um outro garoto cuja fisionomia eu não faço idéia de como fosse agora. Podia ser um dinossauro que não ia lembrar. Só pensava em quão peculiar era o fato do Rafael estar ali naquela noite. As coisas realmente voltam pra gente.

Dançava só com esse amigo. De longe, sem flertes e olhares e mãos nem nada. "Também, né." Pensava eu.

Tinha me visto quando cheguei, certeza. Claro que olhei de lado, dancei pra outro canto e não vi ninguém.

"Filho da puta". Deve ter pensando, sem dúvida. Mas continuou dançando e cochichando algo no ouvido desse amigo.




Fosfobox, madrugada de sábado. 03:00
Não vi (nem tinha como ver), mas certamente foi assim.

Rafael estava parado perto do bar, bem em frente a mim. Sua expressão facial beirava o ridículo de tanto que ria. Seu amigo ao lado tinha saído pra dançar alguma outra coisa na pista rock de baixo e voltava ensopado.

Contou a historia para o amigo, e agora eram duas pessoas rindo a minha frente. Não enxergava nenhuma delas. Só ouvia uma voz distorcida me perguntando se eu tinha exagerado.

It doesn't pay to be a runaway lover.

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